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Um pouco sobre a língua que falamos e escrevemos

Data: 11/03/2010

* Valdete Ramos de Oliveira

Todo o começo de ano é quase sempre parecido com os anos anteriores. Cheios de promessas e de muitas resoluções. Embora, boa parte disso muitas vezes fica apenas no plano dos sonhos. Alguns sonhos tornam-se realidades e este em especial quero dividir com você, leitor, que é a oportunidade de neste espaço, discutir e refletir sobre a língua portuguesa falada e escrita.

A nossa língua portuguesa teve a sua origem a partir do latim. A língua da civilização que teve como centro Roma antiga, e cresceu para usar as datas tradicionais entre a fundação da própria cidade por Rômulo e a deposição do último imperador, Rômulo Augústolo. Hoje o Brasil é o maior país de língua portuguesa do mundo. Sabemos que ela não nasceu aqui, pois foi implantada no continente sul-americano durante a expansão marítima. Logo, os portugueses a levaram para a América, a Ásia e a África.

No início da colonização, a imposição da língua portuguesa não foi passiva. Até o século XIX, parte da população ainda se expressava em tupi, idioma que influenciou fortemente o português no Brasil.

Entretanto, em todas as comunidades já existentes, a fala antecede a escrita. Segundo pesquisas, temos catalogadas mais de três mil línguas faladas no mundo, das quais 180 possuem escritas e mais ou menos 78 delas, a literatura. Há sociedades que não se utilizam do registro escrito, mas a fala é comum a todo o planeta onde seja habitado pelos homens.

Assim sendo, a fala e a escrita se apóiam em sons e letras articulados em sistemas de representação simbólica. Dessa forma, o homem a construiu como ferramentas para estabelecer as relações sociais, principalmente as comunicativas, e as transformou em práticas sociais. Para uma melhor compreensão dessas práticas, podemos afirmar que elas fazem parte da cultura, dos modos de pensar, sentir, agir, julgar, ver e, lógico, falar e escrever.

É importante dizer que as pessoas falam por que desejam ser ouvidas. A comunicação é uma troca constante de significados sobre o mundo e nós mesmos. E é exatamente isso, que diferentemente de outros animais, o homem criou a linguagem, a sociedade e o diálogo. Isso significa dizer que a língua pertence a toda uma comunidade.

De maneira geral, sabemos que é muito mais fácil falar do que escrever. Observemos quando precisamos escrever um bilhete ou uma mensagem, o quanto relutamos com as palavras. Tudo isso é por que na  língua escrita, a elaboração da mensagem requer uma língua menos alusiva, ou seja, somos obrigados utilizar formas de referencias mais precisas, como  substantivos e adjetivos para nomear e caracterizar os seres, quando na língua falada certos advérbios e pronomes bastam.

A língua escrita exige esforço e uma atenção maior, por que  precisamos indicar datas, descrevermos os lugares e objetos, bem como devemos identificar claramente os interlocutores. Porém a língua escrita por ser mais precisa tem a vantagem de atravessar o tempo e o espaço sem perder a eficiência informativa. Já a língua falada, portanto, atende seus falantes momentaneamente, uma vez que estão na presença um do outro e incorporando os dados da realidade imediata e, dependendo da proximidade de experiências desses falantes, muitas experiências prévias não precisam ser explicitadas.

Nessa linha de pensamento, se a escrita existe é porque primeiramente existiu a fala, e aos poucos ela vai criando sua própria ordem, dependendo dos diferentes registros e níveis em que ocorre. Além disso, as modalidades - fala e escrita - dependem muito da situação do seu uso, formal ou informal, com quem fala e escreve, onde fala e escreve e quando se fala e escreve.

Retomando a nossa conversa inicial é importante mencionar que a nossa língua recebeu muitas influências de outras línguas e recentemente com a invasão da comunicação de massa e o domínio econômico assumido pelos Estados Unidos, o inglês tem exercido forte influência no nosso idioma. Seja como for, assim como no período da colonização e dos dias atuais, nós vamos adaptando essa influencia ao nosso sistema fônico e ortográfico adquirindo características especificas e assim, continuamos a criar a nossa própria língua. Em outras palavras, a nossa língua e nossa escrita estão em constante mutação.

 Isso significa dizer que, as duas formas de línguas seja ela falada ou escrita são diferentes, com seus valores específicos e apropriados para cada forma de comunicação verbal.

 

 

 

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