Todo o começo de ano é quase sempre parecido com os anos
anteriores. Cheios de promessas e de muitas resoluções. Embora, boa parte disso
muitas vezes fica apenas no plano dos sonhos. Alguns sonhos tornam-se
realidades e este em especial quero dividir com você, leitor, que é a
oportunidade de neste espaço, discutir e refletir sobre a língua portuguesa falada
e escrita.
A nossa língua portuguesa teve a sua origem a partir do
latim. A língua da civilização que teve como centro Roma antiga, e cresceu para
usar as datas tradicionais entre a fundação da própria cidade por Rômulo e a
deposição do último imperador, Rômulo Augústolo. Hoje o Brasil é o maior país
de língua portuguesa do mundo. Sabemos que ela não nasceu aqui, pois foi
implantada no continente sul-americano durante a expansão marítima. Logo, os
portugueses a levaram para a América, a Ásia e a África.
No início da colonização, a imposição da língua portuguesa
não foi passiva. Até o século XIX, parte da população ainda se expressava em
tupi, idioma que influenciou fortemente o português no Brasil.
Entretanto, em todas as comunidades já existentes, a fala
antecede a escrita. Segundo pesquisas, temos catalogadas mais de três mil
línguas faladas no mundo, das quais 180 possuem escritas e mais ou menos 78
delas, a literatura. Há sociedades que não se utilizam do registro escrito, mas
a fala é comum a todo o planeta onde seja habitado pelos homens.
Assim sendo, a fala e a escrita se apóiam em sons e letras
articulados em sistemas de representação simbólica. Dessa forma, o homem a construiu
como ferramentas para estabelecer as relações sociais, principalmente as
comunicativas, e as transformou em práticas sociais. Para uma melhor
compreensão dessas práticas, podemos afirmar que elas fazem parte da cultura,
dos modos de pensar, sentir, agir, julgar, ver e, lógico, falar e escrever.
É importante dizer que as pessoas falam por que desejam ser
ouvidas. A comunicação é uma troca constante de significados sobre o mundo e
nós mesmos. E é exatamente isso, que diferentemente de outros animais, o homem
criou a linguagem, a sociedade e o diálogo. Isso significa dizer que a língua
pertence a toda uma comunidade.
De maneira geral, sabemos que é muito mais fácil falar do
que escrever. Observemos quando precisamos escrever um bilhete ou uma mensagem,
o quanto relutamos com as palavras. Tudo isso é por que na língua escrita, a elaboração da mensagem
requer uma língua menos alusiva, ou seja, somos obrigados utilizar formas de
referencias mais precisas, comosubstantivos e adjetivos para nomear e caracterizar os seres, quando na
língua falada certos advérbios e pronomes bastam.
A língua escrita exige esforço e uma atenção maior, por que precisamos indicar datas, descrevermos os lugares
e objetos, bem como devemos identificar claramente os interlocutores. Porém a
língua escrita por ser mais precisa tem a vantagem de atravessar o tempo e o
espaço sem perder a eficiência informativa. Já a língua falada, portanto,
atende seus falantes momentaneamente, uma vez que estão na presença um do outro
e incorporando os dados da realidade imediata e, dependendo da proximidade de
experiências desses falantes, muitas experiências prévias não precisam ser
explicitadas.
Nessa linha de pensamento, se a escrita existe é porque primeiramente
existiu a fala, e aos poucos ela vai criando sua própria ordem, dependendo dos
diferentes registros e níveis em que ocorre. Além disso, as modalidades - fala
e escrita - dependem muito da situação do seu uso, formal ou informal, com quem
fala e escreve, onde fala e escreve e quando se fala e escreve.
Retomando a nossa conversa inicial é importante mencionar
que a nossa língua recebeu muitas influências de outras línguas e recentemente
com a invasão da comunicação de massa e o domínio econômico assumido pelos Estados
Unidos, o inglês tem exercido forte influência no nosso idioma. Seja como for,
assim como no período da colonização e dos dias atuais, nós vamos adaptando essa
influencia ao nosso sistema fônico e ortográfico adquirindo características
especificas e assim, continuamos a criar a nossa própria língua. Em outras
palavras, a nossa língua e nossa escrita estão em constante mutação.
Isso significa dizer
que, as duas formas de línguas seja ela falada ou escrita são diferentes, com
seus valores específicos e apropriados para cada forma de comunicação verbal.