Programação
1º de junho – 19h
Elisabeth Roudinesco
“Foucault, Deleuze, Derrida: pensamento rebelde e heranças cruzadas”
(Encontro com transmissão ao vivo no site CPFL Cultura)
Esses três filósofos tiveram, através de suas divergências, como ponto comum a recusa de toda forma de normalização do homem e da existência. Por isso mesmo, eles se confrontaram não só com a questão do engajamento político, ou seja, com uma filosofia da liberdade, mas com a concepção freudiana de inconsciente, ou seja, com uma filosofia da estrutura. Parece-me que a melhor maneira de herdar o seu pensamento rebelde não é repeti-lo, mas reinventá-lo.
Elisabeth Roudinesco é historiadora e psicanalista. Autora de inúmeros trabalhos de crítica literária e história do pensamento, exerce interferência esclarecedora sobre os temas polêmicos de nossa época e participa ativamente na mídia, colaborando no jornal Le Monde. Foi membro da Escola Freudiana de Paris (1969-1981), professora da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais (1992-1996) e da Escola Prática de Altos Estudos (2001-2007) e vice-presidente da SIHPP (1990-2006). Desde 1991, dirige pesquisas junto ao Departamento de História da Universidade de Paris VII. Seus livros foram traduzidos em 30 línguas. No Brasil, lançou mais de dez livros pela editora Zahar, com destaque para “A parte obscura de nós mesmos” (2008), “A família em desordem” (2003), “Em defesa da psicanálise” (2009) e “Retorno à questão judaica” (2010).
8 de junho – 19h
Frédéric Worms
“Poder, imanência e luto originário: o que o momento do vivente deve a Foucault, Deleuze e Derrida”
O atual momento filosófico é o momento do vivente, ou seja, hoje o problema da vida não é mais um problema local, mas um problema global que atravessa todos os outros. No entanto, pode-se interpretar a vida de duas maneiras: como um fato objetivo e neutro ou como uma série de tensões irredutíveis. Para nela reencontrar essas tensões indispensáveis, é imprescindível um retorno diferenciado aos pensadores que, no momento precedente, as compreenderam de maneira tão profunda. Vida e poder, vida e diferença, vida e morte: essas são as tensões que devemos a Foucault, Deleuze e Derrida.
Frédéric Worms é professor de filosofia na Universidade de Lille e diretor do Centro Internacional de Estudos de Filosofia Francesa Contemporânea na Escola Normal Superior de Paris. Publicou, dentre outros, Bergson ou les deux sens de la vie (PUF 2004), La philosophie du XX° siècle en France. Moments (Gallimard 2009) e Le moment du soin, suivi de A quoi tenons nous? (PUF 2010, no prelo).
15 de junho – 19h
Guillaume Le Blanc
“A vida pode ser fora das normas?”
Compreender a ação das normas na vida humana, compreender a vida das normas nas ações humanas é engajar-se numa dupla reflexão sobre o poder da norma na vida e, de modo recíproco, sobre o poder da vida nas normas. Esse é um dos centros de gravidade da filosofia francesa dos anos 60-70, que continua a produzir efeitos hoje. Se as normas sociais constituem os sujeitos que nós somos, podemos desfazer essas normas e clamar por um “fora das normas” liberador? Deve-se retomar, com algumas precauções, hoje essa questão, que liga e separa Foucault e Deleuze, como tarefa teórica e importante prática. Podemos turvar as normas no momento mesmo em que continuamos a viver nas águas turvas da norma?
Guillaume le Blanc é professor de filosofia na Universidade de Bordeaux, membro da comissão editorial da revista Esprit, da Revue de Métaphysique et de Morale e editor da coleção "Pratiques théoriques" (PUF). Publicou Canguilhem et les normes (PUF 1998), La vie humaine. Anthropologie et biologie chez Georges Canguilhem (PUF 2002), L'esprit des sciences humaines (Vrin 2005), Les maladies de l'homme normal (Vrin 2007), Vies ordinaires vies précaires (le Seuil 2007), Gagner sa vie est-ce la perdre? (Gallimard 2008), L'invisibilité sociale (PUF 2009).
22 de junho – 19h
Pierre Zaoui
“Da revolução à dissidência: a filosofia francesa depois de Maio de 68”
O que pode nos trazer o pensamento francês de depois de Maio de 68 para compreender nosso mundo de hoje? Antes de mais nada, que o modelo revolucionário baseado na oposição frontal entre duas representações antagônicas da sociedade manipuladas desde cima (no nível da vanguarda dos partidos ou das escolas) está morto. Mas também que a morte desse modelo pode ter um custo terrível: o reaparecimento de formas de soberania brutais e arbitrárias no coração das sociedades aparentemente mais liberais (Guantánamo e todas as políticas de repressão extrajurídicas); a regressão social orquestrada (pelas políticas ditas neoliberais); o esmagamento de todo pensamento alternativo sob a apologia de um “pensamento único” (a ideologia da avaliação objetiva). E ao mesmo tempo em que é urgente inventar um modelo alternativo: não mais revolucionário, mas específico (Foucault), em linha de fuga (Deleuze) ou anti-autoritário (Derrida), ou seja, para encontrar um nome comum a essas três modalidades, “dissidente”.
Pierre Zaoui é professor da Universidade de Paris VII, diretor de programas do Colégio Internacional de Filosofia, co-fundador e membro da revista Vacarme. Publicou, dentre outras obras, Le libéralisme est-il une sauvagerie? (Bayard 2007), Spinoza, la décision de soi (Bayard, 2008) e Vivre c'est croire (Bayard, janeiro de 2010).
29 de junho – 19h
Scarlett Marton
“Do império das normas às políticas da transgressão”
Pensadores rebeldes, Foucault, Deleuze e Derrida puseram em questão o poder, a instituição e a própria maneira de filosofar. Criticaram de diferentes formas a idéia de indivíduo autônomo, que estabelece e se submete às normas, e abriram espaço para pensar o singular, o múltiplo e a diferença. Participando das lutas concretas do seu tempo, apostaram no que se pode chamar de políticas da transgressão. Nosso intuito, aqui, será discutir em que medida as concepções e práticas desses três filósofos ainda se mostram férteis para equacionar problemas da nossa sociedade globalizada, onde tende a imperar um pensamento único.
Scarlett Marton é professora titular de filosofia contemporânea da USP, fundadora do GEN – Grupo de Estudos Nietzsche. Seus principais trabalhos são: Nietzsche, das forças cósmicas aos valores humanos (1990), Nietzsche, a transvaloração dos valores (1993), Extravagâncias. Ensaios sobre a filosofia de Nietzsche (2000), A irrecusável busca de sentido. Autobiografia intelectual (2004), além de vários ensaios publicados em periódicos nacionais e estrangeiros.